Enquanto você dorme

 Eu escrevo.

Sua avó Zizi foi comprar pão com Maia, que estava fazendo birras homéricas antes de sair de casa, porque queria colocar a meia-calça de gatinho, depois porque queria o tênis que pisca. 

Maia é assim. Birrenta. Dona da casa e das pessoas. Está naquela fase em que acha que tudo e todos são propriedade dela; com a sua chegada, essa sensação se acirrou e ela ficou no limite (e tem trazido todos nós para o limite também). 

Você não ajuda muito: dorme picadinho, passa as noites querendo colo e aconchego e, durante o dia, na maioria das  vezes, tira sonecas mais curtas que longas _ o que faz com que eu, sua ilustríssima mamãe, não consiga dormir um sono REM nunca. 

Que engraçado: eu sabia que seria assim e, mesmo assim, quando você chegou, encheu minha vida de alegria. 

Você é um bebê lindo. Muito, muito bonito mesmo. E risonho. Parece feliz, na maioria do tempo, como se já conhecesse o lirismo e as histórias boas que esse mundo vai lhe contar. Fico satisfeita com o fato de que você e Maia são tão felizes. Alice também era assim, antes de ser corrompida pela adolescência e pela pandemia. Ela ficou mais ranzinza que o normal... Espero que seja feliz, mesmo ranzinza, posto que, talvez, uma coisa não tenha nada a ver com  outra (embora eu acredite que tenha).

Dia dezesseis foi meu aniversário e fizemos uma comemoração modesta, só para nós mesmo: suas duas avós estavam aqui. E a Dida, sua terceira avó, também. A vó Zizi chamou duas amigas dela para virem e, completando, também estavam o vovô Hortensio, Alice, Maia e seu pai. A tia Mica (minha amiga, namorada do amigo do papai) veio trazer presente e ver a gente. E teve um monte de jogos de futebol, porque estamos no meio da Copa do Mundo. Foi um dia legal, surpreendentemente. Ganhei mais presentes do que estava acostumada e tinha um bocado de comidas diferentes (especialmente muitos doces, bolos e tortas, que estão na geladeira até agora, sendo devorados aos poucos pelas formiguinhas da casa).

Você se comportou muito bem: sorriu para todos. Tentou conversar fazendo seus barulhinhos fofos e balbuciando gritinhos. Como é bom ficar olhando para você!

Agora mesmo, antes de escrever essa cartinha, estava com você no colo, cheirando seu cangotezinho curto e quase não te coloquei na cama... queria passar todos os momentos com você no meu colo... todos... Mas não faço isso porque Maia ficaria muito ciumenta e sentiria raiva de você. Daí, te coloquei na cama e aproveitei para escrever. 

Te amo, filho.

Que  bom que você existe!

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