Te gesto, te espero
Terceiro filho, primeiro homem, te trago no ventre sem ânsia. Estamos caminhando para as 38 semanas e sinto você se espalhar por dentro, como se fizesse questão de invadir cada órgão, até ficar fixado nas paredes viscerais de mim (não se preocupe: já está). Pode ser que, em uma década e meia ou duas, você chegue a essas cartas. Pode ser que nunca as leia (vai saber). Mas eu preciso falar. Preciso, porque nunca imaginei que você viria. Porque já me sentia oca, desde antes de Maia. Porque a virada dos meus quarenta anos mexeu com os alicerces da vida que eu achava que tinha. Que coisa. Quando engravidei de Alice, sabia que era um menino. Que saber torto! Descobri que a única coisa que eu achava que sabia era nada... e veio uma mocinha toda cor de rosa, de batom nos lábios e tudo. Paralisei. Quando veio Maia, torci para ser um menino, para que eu pudesse ter a chance de ser mãe de um de cada. Novamente, uma menina me surpreendeu, com uma vivacidade e fof...